Mestre Irineu - Valcírio Grangeiro

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Primeiro eles criaram lá um sistema pra arrecadar fundos, fizeram um brisaque (saquinho de pano) e ia passando pelas pessoas, pra elas irem contribuindo. Foi o primeiro sistema que eles criaram. Aí, o padrinho Mestre Irineu viu que um camarada fez que ia colocar dinheiro dentro e fez foi tirar o dinheiro que tinha dentro. Aí, padrinho Irineu disse que não estava criando uma escola de ladrão, de roubo, aí acabaram com isso.


Aí, levaram essa ideia de fazer essas fichas, e cada pessoa que fosse tomar daime comprava a ficha que era de 50 centavos naquela época. O padrinho Mestre Irineu disse que aqui não era mercado. Ele não aceitou isso, mas, para não ficar contra, já que não tinha outro meio de arrecadar, aí padrinho Mestre Irineu deixou. Ele mesmo comprava a ficha dele pra tomar daime. Ele foi o primeiro que comprou a ficha. Quando chegava dia de trabalho, ele comprava a ficha dele, botava no bolso. Ás vezes muita gente chegava e não tinha dinheiro pra comprar ficha e ele comprava e dava pras pessoas. As pessoas chegavam lá e diziam que não tinham dinheiro, aí ele chegava e dava. Já levava um dinheiro trocado no bolso e as pessoas chegavam e diziam que não iam tomar daime porque não tinham dinheiro pra comprar a ficha, ele puxava o dinheiro e dava pras pessoas comprarem as fichas.


Antes desses sistemas, ele falava pras pessoas contribuírem com o que pudessem. Um levava um quilo de carne, outro um quilo de jabá, outro podia levar o dinheiro pra comprar. Aí, depois que veio esse negócio da associação, da filiação, das pessoas ficarem pagando mensalidade, mas isso foi depois do padrinho Mestre Irineu morrer. Foi uma coisa que inventaram, ele era contra essas coisas. Ele preferia que as pessoas doassem sem ser preciso nem falar, mas, não é todo mundo que tem essa espontaneidade de chegar assim e dar pra ajudar, às vezes, pedindo, as pessoas não querem dar.