WWW.MESTREIRINEU.ORG

 

Depois que ele recebeu o hino Silencioso, mais ou menos em 1945, ele deixou a bebida definitivamente e proibiu a todos os fardados de tocar em bebida alcoólica, e ainda disse mais: que todo aquele que tomasse Daime e bebesse bebida alcoólica, ele chamaria de sem vergonha. Ele anunciou isso para todo mundo escutar.

 

Era um tipo de chamado de alerta que o Mestre fazia, chamado Senso-perfumoso. Tinha um trechinho assim: “Senso-perfumoso é da floresta, é do nosso Pai soberano, peço a saúde do meu irmão, ou desse irmão”. Aí se na miração o Mestre visse um lençol se abrindo, o irmão estava aqui. O irmão tinha chance de se curar e ficar vivo. Mas, se o lençol se fechasse, o irmão já estava em outro lugar, estava sentenciado a morrer breve. É verdade mesmo, eu perguntei a Percília, e ela sempre dizia que era verdade. Se fosse pro irmão viajar, ficava tudo fechado, não recebia nenhuma explicação. Era que já estava do outro lado.


Teve uma época que a metade do hinário era tocado apenas com maracá. Depois do hino 66 eram tocados os hinos só nos instrumentos musicais. Mas se podia bater o maracá. Eram todos, mas sem cantar, até o fim. Só se cantava os hinos de força: 86, 87, 95, 104, 108, 111 e 116. A obrigação era dali do 66 pra frente deveria ser só a música e o maracá. A primeira parte tinha de ser só voz, só cântico, depois do intervalo entrava a música.


As concentrações sempre iniciavam às sete horas da noite, com a gente tomando daime. Depois ele colocava cada qual na sua função (fiscal e mesários). Sempre a concentração costumeiramente é uma hora e trinta minutos de concentração. Costumeiramente, quem viu o Mestre trabalhar, é uma hora e meia de concentração. A não ser que seja uma véspera de feriado ou de um dia de sábado pra domingo, para que a pessoa quer se estender mais um pouco. Mas o regulamento é uma hora e meia de concentração. Agora, no término desse tempo, o Mestre, ou o presidente, ou o secretário, ou quem esteja dirigindo o trabalho, pergunta formalmente se ainda tem gente mirando bastante.  Se todo mundo já terminou de mirar, aí então se canta os hinos novos. Mas, pra cantar os hinos, não precisa todo mundo ficar de pé. De pé, só as mulheres, aquelas que estão puxando os hinos. Aqueles componentes da mesa ficam sentados. Mas a determinação do Mestre era pra todo mundo ficar sentado, os mesários e todo o povo que tava na sessão. Agora, quando as mulheres terminavam de puxar os hinos, quando se chega naqueles dois últimos hinos, 127 e 128, todos se levantam. Aí, no terminar dos hinos novos, se encerra com as preces, e está encerrado o trabalho. Assim era com o Mestre, e eu sempre vi o Mestre fazer assim.


Fui lá à casa dele. Cheguei lá, logo falei pra ele. Ele disse: “Já tô sabando. Já estou sabendo dos irmãos que chegam no roçado do outro e tira macaxeira, tira banana, abacate, laranja e tira tudo. E o irmão não dando, não chega nem a pedir. Eu doei terra aqui pra todo mundo, para poderem ter uma terrinha pra trabalhar. Mas não entro na propriedade antes de pedir ao dono. E por que um irmão chega no roçado do outro e faz isso? Deixe comigo que, na reunião de 15 de novembro, eu vou fazer uma palestra. Não é do meu costume não, mas tá sendo necessário eu fazer. Sem citar o nome de ninguém.”


Foi quando ele disse que na guerra precisa de muita bala. Aí ele falou e disse: “Meus irmãos, todo mundo aqui corre atrás do Mestre, todo mundo toma daime e não apreenderam nada. Daqui a pouco o Mestre morre, e como é que vão ficar? Ninguém aprendeu nada, e quem toma daime é para aprender. Isto é uma das metas que eu quero falar. E outra, eu quero falar com todos, sem falar nas senhoras, que elas não devem tá procedendo desta maneira. Me dêem licença, me desculpem, me perdoem que eu aqui não quero chamar atenção de ninguém. Mas, como chefe, como comandante do trabalho, mas como chefe desta doutrina, eu tenho de falar. Nós devemos respeitar os direitos dos outros, seja qual for o tamanho do direito, nós temos de respeitar. Se você tem um sítio com bananal, canavial ou qualquer coisa, e pega sem falar pro dono, é roubo. Você não tem fé. Aqui eu tô formando um grupo de homens, não é de moleques não. Isso é uma parte, a outra é a união, como se respeita a família, como se respeita os filhos, como se respeita o padre, a esposa, e no caso é de ambas as partes, do jeito que a mulher tratar o marido com todo o respeito, o marido deve tratar a mulher também.


Com a união, com o amor e a sinceridade, porque como diz o hino: “O escudo nós temos na mãos, e a firmeza é no coração”, não é assim que o hino diz...” Ele estava falando com a Percília. “Nós temos de tomar daime e aprender aquilo que o daime tá nos ensinando. Não é fazer aquilo que o nosso pensamento tá pensando, nosso coração tá pedindo. Porque tem coisas que está no nosso coração, no nosso pensamento, na nossa imaginação, que está totalmente fora do poder, do poder divino. Deve-se sim, ter a união, a verdade, amor e justiça. Deve-se ter todo dia, e que cada dono de casa tem de pedir ao outro dono. A primeira coisa que você faz quando abre a porta de casa é pedir a Deus: “Me dê paz, me dê harmonia, amor, verdade e justiça à minha família.” Você pedindo paz, amor, verdade e justiça, vem o pão, vem a saúde, vem tudo, mas se você pedir guerra, só chega guerra. E pra ter paz é muita reza, e pra guerra é muita bala. A casa que tá com daime é pra ter respeito. A casa que existe guerra não pode ter daime. Porque daime não é pra guerra, é para a paz. O daime é Deus, daime é saúde, é amor. Onde existe guerra, descompostura, palavrão pode ter daime? Como é que Deus pode encostar nisso? Deus sabe que você existe, mas você não tá guardando Ele dentro. Você tá guardando dentro de si, então, você tem de saber dar valor à sua casa. Não dar palavrões, endiabrados, endemoninhados, porque são coisas do outro lado, o das trevas, da escuridão. E não é isso que nós queremos na nossa missão. Nós queremos paz, amor, verdade, justiça, pra união, pro amor. Pro daime é muita reza e pra guerra muita bala”.